Congresso da CIP envia vários ‘recados’ ao Governo

12 abril 2018

Empresários querem que António Costa insista na melhoria da envolvente dos negócios a vários níveis. Desde logo para que a economia possa virar-se ainda mais para as exportações. O ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, encerrou o congresso.

António Saraiva, presidente da CIP- Confederação Empresarial de Portugal, que realizou ontem, quarta-feira o seu congresso anual dedicado ao ‘Valor das Empresas’ deixou nota, no fecho dos trabalhos, de uma série de “exigências” elencadas para conhecimento do Governo, tendo isolado quatro grandes temas.

A saber: a inversão do aumento da carga fiscal sobre as empresas, com estabilidade, simplicidade e previsibilidade na tributação; políticas de estímulo à capitalização das empresas, ao redireccionamento do crédito bancário para o setor produtivo, à diversificação de fontes alternativas de financiamento; investimento público, nomeadamente em infraestruturas com vista à competitividade da nossa produção; e instrumentos de política pública que apoiem e promovam o esforço de qualificação dos recursos humanos das empresas.

Já antes, durante a manhã, António Saraiva havia afirmado que a envolvente – e a melhoria dos seus diversos componentes – seria a forma de aumentar ainda mais a vertente exportacionista da economia, considerada a forma mais perene de sustentar o desenvolvimento.

António Saraiva não o disse, mas das suas palavras ficou a ideia de que, tal como o Bloco de Esquerda e o PCP, a CIP não está confortável com a insistência com que o Governo trata a questão do défice e o coloca no centro do combate, nomeadamente avançando a sua arma maior: o Ministério das Finanças.

Mas as semelhanças ficam por aqui: ao contrário das forças partidárias que sustentam o executivo na Assembleia da República, António Saraiva quer mais investimento nas áreas que servem as empresas e não nos serviços públicos tradicionais e no reversão de algumas leis do trabalho – consideradas ainda assim insuficientes para sustentar o relançamento da economia.

Mais de dois terços do investimento em Portugal é realizado pelas empresas: em 2017, 58% do acréscimo do investimento veio das empresas e só 25% do investimento público, salientou António Saraiva. E não esqueceu de salientar que “o défice historicamente baixo atingido em 2017 ficou a dever-se, em grande parte, à aceleração económica registada no último ano e ao aumento do emprego. Ambos são mérito dos empresários”.

António Saraiva chamou ainda a atenção para o facto de as empresas não estarem preparadas para absorver a diretiva europeia sobre proteção de dados – matéria em que foi secundado por vários empresários presentes, que se queixaram de desconhecimento das novas regras (impostas pela União Europeia e não por iniciativa do Governo), que podem implicar perda de competitividade para as empresas.

O ministro Adjunto, Pedro Siza Vieira, encerrou o congresso, tendo elencado alguns dos mais importantes números macro, entre eles as exportações – que já ultrapassam os 42% do PIB – a criação de emprego e o investimento privado – nomeadamente no que tem a ver com o investimento direto estrangeiro, que atingiu em 2017 o maior nível de sempre (salvo em 2012, com as privatizações). “Este crescimento deve-se sobretudo às empresas”, disse, “mas é também mérito de um país como um todo”: a educação, a qualificação dos recursos humanos. Mas também não pôde deixar de dizer, a atuação do Governo, no que tem a ver com a capitalização das empresas – e genericamente o acesso ao crédito – com a agilização da transferência dos fundos comunitários e a gestão rigorosa das finanças públicas (com níveis de superavit primário importantes).

E finalmente, o início da redução da dívida – que, recorde-se, desce por duas vias: pela diminuição do stock em absoluto e pelo aumento do PIB.

Do outro lado, a subida possível das taxa de juro, as baixas taxas de poupança, o endividamento privado e das famílias e a escassez de recurso humanos e as suas qualificações são os temas que Pedro Siza Vieira elencou como preocupações.

Impulso ao investimento empresarial – nas áreas do investimento e da capitalização, com mais 1.600 milhões de euros para as linhas Capitalizar e mais 400 milhões para as ‘mid caps’ –assegurar sistemas de incentivos ao nível do Portugal 2020, desde logo no que tem a ver com as exportações (linha Capitalizar Exportações, com 600 milhões para crédito), revitalizar linhas de seguros de crédito por parte do Estado (seguro de caução, de crédito aos importadores e aos exportadores); ferrovia 2020, investimentos em portos, são as próximas apostas do Governo.

FONTE: Jornal de Negócios

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