Abriram 30 super e hipermercados por ano desde final de 2012

23 março 2018

Nos últimos quatro anos, as cadeias de distribuição abriram mais 119 unidades, tendo 2016 chegado ao fim com um universo de 1716 lojas de retalho alimentar, o que dá cerca de 30 supermercados novos a cada ano, de acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística. Mas a tendência é para continuar a expansão. Só quatro cadeias – Jerónimo Martins, Sonae, Auchan e Dia – deverão investir este ano, em Portugal, cerca de 300 milhões de euros, em remodelações de lojas e novas aberturas. E a tendência de lojas mais pequenas e maior proximidade veio para ficar.

A Jerónimo Martins prepara-se para abrir dez novos Pingo Doce, onde será aplicada parte dos 130 milhões que o CEO Pedro Soares dos Santos já anunciou que vai destinar para Portugal.

“Vamos procurar manter o ritmo de investimento do último ano”, ano em que o grupo abriu “19 lojas Bom Dia e um Continente Modelo, num total de cem milhões de investimento”, adianta fonte oficial da Sonae MC. Ou seja, uma aposta sobretudo em lojas de proximidade. “O consumidor valoriza muito mais a conveniência e espaços mais pequenos, onde pode rapidamente fazer o seu cabaz de compras e ter um atendimento mais personalizado”. A tendência surgiu no período da crise, quando os portugueses trocaram carros de compras cheios por mais idas ao supermercado, favorecendo espaços mais pequenos. E tudo indica que veio para ficar. “A Sonae MC vai acompanhar esta tendência, através do investimento em novos espaços Bom Dia e em novas franquias Meu Super”.

Aposta na proximidade O mesmo tem feito a Auchan.
No ano passado, o grupo dono do Jumbo abriu seis lojas de ultraproximidade na Grande Lisboa, a My Auchan, um novo conceito onde investiu seis milhões. “Para os próximos dois anos, temos preparado um investimento de 90 milhões, dos quais metade serão direcionados para remodelações. Os restantes 40% serão gastos na abertura de novos pontos de venda”, revela Ricardo Fonseca, diretor financeiro da Auchan. A estratégia “é ter diferentes formatos nas localizações onde a Auchan já tem clientes”. Onde? Não revela.

O Dia vai investir 25 milhões na remodelação de cem lojas e expansão da rede. “Em 2018, vamos introduzir o conceito Minipreço Express no Grande Porto”, adianta Jorge Madeira, diretor comercial do Dia. O novo conceito reforça a estratégia de proximidade da cadeia espanhola. “As pessoas querem encontrar facilidade, rapidez, sortido e preço, num atendimento simples, personalizado e que lhes poupe tempo na entrada e saída da loja”, diz.

“A conveniência exigida pelos consumidores deverá ditar a nossa atuação, pelo que o formato de lojas de proximidade não é apenas uma tendência, é uma necessidade”, defende Pedro Rebocho. O administrador de vendas do Lidl não adianta quantas lojas vão abrir em 2018, mas em fevereiro surgiu o quinto Lidl na Areosa. Em 2017, investiram 70 milhões em seis novas lojas e remodelações.

Norte em grande
Há 12 anos em Portugal, o Aldi tem focado a sua expansão na zona Centro e Sul, onde nos últimos cinco anos abriu cerca de 30 lojas. “No final de 2017, inaugurámos as primeiras lojas na área do Grande Porto. Para este ano, temos já previstos alguns projetos na zona Norte”, adianta fonte oficial da cadeia alemã, sem mais detalhes.

Uma aposta que pode ter consequências: em zonas mais saturadas poderá levar ao encerramento de mercearias e minimercados, mas também “nos súper de menor dimensão e menos inseridos na malha urbana e percursos mais utilizados”, diz Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca.

Uma aposta que pode ter consequências: em zonas mais saturadas poderá levar ao encerramento de mercearias e minimercados, mas também “nos súper de menor dimensão e menos inseridos na malha urbana e percursos mais utilizados”, diz Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca.

Em 2019, a espanhola Mercadona deverá inaugurar a sua presença em Portugal com quatro lojas na região do Porto.

“Aberturas tenderão a gerar encerramentos de mercearias”
Pedro Pimentel, diretor-geral da Centromarca, comenta a expansão da rede das cadeias e qual o seu impacto no sector de retalho alimentar

As cadeias de distribuição têm vindo a apostar em lojas de proximidade. A que aponta esta estratégia?
A estratégia das diferentes insígnias corresponde a uma reação à mudança do comportamento do consumidor (ou de pelo menos uma parcela relevante dos consumidores), que motivados pelas dificuldades económicas, pelo desejo de conveniência ou pela simples vontade de gastar menos tempo e ter menos despesas com os atos de compra, vem, de forma sustentada, optando por realizar as suas compras em lojas localizadas a distâncias mais curtas seja dos seus lares, seja dos seus postos de trabalho.
Esta estratégia é visível nos maiores centros urbanos, mas também em localidades de menor dimensão. Fala-se muito na revitalização do comércio tradicional, mas na prática assistimos a uma transposição do formato supermercado para localizações de menor dimensão e mais inseridas no tecido urbano.
O conceito pretende misturar um sortido razoavelmente amplo com um serviço próximo e com capacidade de criar empatia com o cliente. Esse sortido, em que estão presentes produtos de marcas de distribuidor, não pode obviamente ser tão amplo como o de um grande supermercado, mas coloca o desafio de oferecer em 200 m2 aquilo que, de uma forma regular, o consumidor deseja levar para casa.

É uma tendência para continuar ou a capilaridade da rede já impede maiores níveis de expansão nos próximos anos?
É uma tendência que tem ainda bastante espaço de crescimento, mas que nas zonas mais saturadas corre algum risco de canibalização, ou seja, a abertura deste tipo de espaços tenderá a gerar o encerramento de mercearias e minimercados, bem como de outras lojas deste mesmo conceito. O desenvolvimento deste tipo de lojas pode também ter consequências na viabilidade de algumas tipologias de lojas da distribuição moderna, especialmente nos supermercados de menor dimensão e menos inseridos na malha urbana ou nos percursos mais utilizados.

Ao nível do consumo que comportamentos estão a emergir que poderão ditar novas tendências ao nível do conceito de lojas?
Na mais recente edição – a sexta – da publicação Marcas+Consumidores, elaborada pela Kantar Worldpanel para a Centromarca, para além da proximidade, são identificadas cinco tendências, associadas ao comportamento dos consumidores, que poderão vir a ter impacto no conceito de lojas num futuro mais ou menos próximo. Desde logo, a capacidade de dar espaço às inovações e, muito especialmente, aos produtos inovadores que respondam às exigências dos consumidores em matéria de saúde e bem-estar. Também deverá ser dada maior atenção ao consumidor sénior, cada vez mais numeroso, exigente e dispondo de um poder de compra crescente. E a capacidade de atrair e fidelizar o consumidor passará, em larga medida, pela capacidade de lhe oferecer produtos ou serviços personalizados. Obviamente, a digitalização da sociedade e das nossas compras tenderá a fazer o e-commerce penetrar progressivamente no universo dos bens de grande consumo, com consequências na forma como combinamos as compras online com as compras nas lojas físicas, numa equação em que a conveniência é um valor essencial.

FONTE: Dinheiro Vivo

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