Portugueses confiam mais nos patrões do que nos sindicatos

20 fevereiro 2018

Os portugueses confiam mais na capacidade dos patrões e gestores do que na dos sindicatos e acreditam mais na escola do que nas famílias. São as conclusões de uma sondagem realizada pela Aximage, onde os tribunais e juízes e os sindicatos figuram como a mais desacreditada das instituições.

Os portugueses confiam mais na capacidade dos gestores e patrões para criarem riqueza do que na capacidade dos sindicatos para defenderem os direitos dos trabalhadores. E acreditam que a escola é melhor a ensinar coisas úteis aos alunos do que as famílias a educar as crianças para o futuro. As conclusões constam de uma sondagem da Aximage, onde as polícias aparecem como líderes de confiança, em contraste com os tribunais, juízes e sindicatos, que figuram como as mais desacreditadas das instituições.

De acordo com o estudo de opinião realizado pela Aximage para o Negócios e o Correio da Manhã, as forças policiais são a instituição na qual os portugueses mais confiam: numa escala de zero a 20, o índice de confiança na capacidade que estes profissionais têm de combater o crime reúne uma pontuação de 14. De seguida na tabela, com uma pontuação de 13, constam as escolas e a sua capacidade de ensinarem coisas novas aos alunos. Merecem ainda nota positiva, embora sem distinção, os patrões e gestores, os partidos políticos e as famílias.

Em terreno negativo figuram a Igreja, quanto à sua capacidade de levar as pessoas a praticarem o bem, os sindicatos quanto à sua capacidade de defenderem os direitos dos trabalhadores, e os tribunais e juízes na sua função de administração da justiça (ver gráfico).

Só a CDU confia mais nos sindicatos
Assim, à luz do inquérito, os portugueses acreditam que os patrões e gestores são mais capazes de desempenhar o seu papel social de criação de riqueza do que os sindicatos de defenderem os direitos dos trabalhadores, uma apreciação que se altera face ao último inquérito (em 2010, quando o último inquérito foi feito, os patrões estavam em terreno negativo, abaixo dos sindicatos, tendo entretanto recuperado de forma sustentada a sua imagem).

A confiança na capacidade dos patrões é especialmente elevada entre eleitores do CDS e do PSD (onde o índice de confiança é de 15 e 13, respectivamente), e negativa entre o BE e o PCP (índice de confiança de 9), mas o descrédito nos sindicatos é mais generalizado. Os sindicatos só merecerem nota positiva entre os eleitores da CDU e, mesmo assim, baixa (o índice de confiança é de 11). Entre os eleitores do Bloco de Esquerda (BE) o índice de confiança é de oito, abaixo da pontuação recolhida junto dos apoiantes do PS, chegando os bloquistas a confiar um pouco mais nos patrões do que nos sindicatos.

Consenso da esquerda à direita: escolas melhor que famílias
Consensual entre os eleitores das diversas forças partidárias é a ideia de que as escolas desempenham melhor o seu papel (ensinar coisas úteis aos alunos) do que as famílias (educar as crianças para o futuro de amanhã), embora com gradações. Entre os eleitores do PSD, PS, CDS e BE o índice de confiança nas escolas é de 14, mas o PCP estraga a média final com uma pontuação de 12. Já a confiança nas famílias é negativa entre os eleitores da CDU e do BE, ao passo que o PS, PSD e CDS são mais optimistas, atribuindo uma pontuação de 10 ou 11.

Todos confiam nas polícias
No topo da tabela, as polícias inspiram confiança de forma transversal ao espectro partidário, com os eleitores do PSD, CDS, BE e CDU a convergirem na pontuação (15) e os do PS a mostrarem-se menos entusiastas (12). Factores como a idade, a escolaridade ou a região de onde os inquiridos são oriundos não parecem interferir nos níveis de confiança, que se mantêm estáveis em todas estas variáveis.

Já os tribunais e os juízes, que recolhem um índice global de confiança de oito, estão especialmente desacreditados entre eleitores do BE e da CDU (índices de seis e sete, respectivamente. A descrença é igualmente maior entre a população urbana do que a rural e entre os mais velhos.

A sondagem da Aximage surge poucos dias depois de a Universidade Católica ter revelado conclusões de um outro inquérito, onde a Presidência da República figurava entre as instituições mais confiáveis, por contraste com as religiões e a banca.

Ficha Técnica
Universo indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel. Amostra aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 603 entrevistas efectivas: 285 a homens e 318 a mulheres; 58 no Interior Norte Centro, 80 no Litoral Norte, 108 na Área Metropolitana do Porto, 109 no Litoral Centro, 168 na Área Metropolitana de Lisboa e 80 no Sul e Ilhas; 101 em aldeias, 160 em vilas e 342 em cidades. A proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral. Técnica Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido nos dias 3 a 6 de Fevereiro de 2018, com uma taxa de resposta de 76,6%. Erro probabilístico Para o total de uma amostra aleatória simples com 603 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma "margem de erro" - a 95% - de 4,00%). Responsabilidade do estudo Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.
O índice resulta da atribuição dos factores +1 a "Grande", +0,5 a "Médio", -1 a "Pequeno" e 0 a "Sem opinião", sendo o resultado reconvertido numa escala de 0 a 20.

FONTE: Jornal de Negócios

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