Cinco empresas a norte geram 4% das exportações

12 fevereiro 2018

As cinco maiores empresas industriais a norte do rio Mondego asseguram 0,15% do emprego nacional, 4% das exportações e contribuem com 1,7% para a riqueza de Portugal. Continental Mabor, Bosch Car Multimedia, Lactogal, Faurécia Sistemas de Escape Portugal e Peugeot-Citroën constituem o top 5, onde predomina o capital estrangeiro, apesar de este ser desvalorizado pelo presidente da AEP.

Paulo Nunes de Almeida considera mesmo que se trata de uma situação de win-win, em que todos ganham. “Grupos como a Continental Mabor e a Bosch não se cansam de referir que as suas unidades em Portugal são as que apresentam melhores índices e desempenhos a nível mundial, o que quer dizer que o país também é importante para eles e tem muito para oferecer, seja ao nível das infraestruturas, da qualificação dos recursos ou da ligação às universidades”, diz.

Por outro lado, lembra, que associadas a estas grandes unidades da indústria transformadora “há toda uma cadeia de valor de empresas nacionais que as abastecem, criando clusters e redes de fornecimento de proximidade, que levariam mais tempo a criar sem estes grandes construtores no país”. Por outro lado, a existência destes fornecedores em quantidade e qualidade “ajuda a atrair mais investimento estrangeiro para Portugal”.

Presente em mais de 60 países, a Continental Mabor lidera com uma faturação de 830,8 milhões de euros, com as exportações a pesar 97,26% nas vendas da empresa de Famalicão. Os números são de 2016 – as contas do ano passado ainda têm de ser consolidados com a casa mãe, na Alemanha. Mas Pedro Carreira, presidente da empresa, admite que as vendas terão sido “similares”. Alemanha, Espanha, Reino Unido, EUA e França são os principais destinos dos pneus da Continental, mas a empresa conseguiu praticamente duplicar o número de mercados nos últimos cinco anos. Coreia do Sul, Marrocos, Croácia e Holanda são alguns dos novos destinos já com “um peso significativo”.

Esta é uma das maiores investidoras em Portugal. Em 25 anos de presença no país, a Continental já investiu mais de 650 milhões de euros. E, em abril, anunciou mais cem milhões para a expansão da unidade fabril, um projeto que a levará a criar mais cem postos de trabalho até ao final deste ano. Em 2016 tinha 1864 trabalhadores. A intenção é continuar a investir.

“Dos planos até à realidade há um longo caminho a percorrer. Existem, pelo meio, aprovações da casa mãe e acordos e negociações com o Estado. Ainda é cedo para adiantarmos alguma coisa”, diz Pedro Carreira. Que espera, neste ano, reforçar o volume de negócios dos últimos dois anos com os novos pneus agrícolas. A fábrica foi inaugurada em setembro e este é um segmento de negócio que irá “trazer valor ao nosso portefólio”, acredita.

Também o grupo Bosch tem anunciado constantes investimentos em Portugal, designadamente na sua unidade de Braga. O mais recente, contratualizado com o Estado em dezembro, é de 48,1 milhões de euros e visa o aumento da capacidade da fábrica Bosch Car Multimedia Portugal.

Lutz Welling, administrador comercial da empresa, não avança com dados de 2017, dizendo apenas que a sede, na Alemanha, teve vendas recorde e que “Portugal tem dado um contributo cada vez mais relevante, com crescimento em todas as unidades”.

Não admira, por isso, que a Bosch continue a reforçar as suas equipas, nomeadamente na área de I&D: a unidade de Braga dá emprego a cerca de 3300 pessoas, mais mil do que há um ano, sensivelmente. A empresa garante que quase 100% da sua produção se destina aos mercados internacionais, embora os dados oficiais apontem para uma taxa de exportação de 16,07%. O facto de a Volkswagen e a Peugeot-Citroën serem dois dos seus maiores clientes ajuda a explicar. Para este ano, tudo aponta para um crescimento, mas “mais ligeiro”. O que não significa estagnação, promete Lutz Welling: “A nossa aposta passa agora por investir fortemente nas tecnologias relacionais com a conectividade nos veículos e com uma mobilidade mais segura, confortável e autónoma.”

Não admira, por isso, que a Bosch continue a reforçar as suas equipas, nomeadamente na área de I&D: a unidade de Braga dá emprego a cerca de 3300 pessoas, mais mil do que há um ano, sensivelmente. A empresa garante que quase 100% da sua produção se destina aos mercados internacionais, embora os dados oficiais apontem para uma taxa de exportação de 16,07%. O facto de a Volkswagen e a Peugeot-Citroën serem dois dos seus maiores clientes ajuda a explicar. Para este ano, tudo aponta para um crescimento, mas “mais ligeiro”. O que não significa estagnação, promete Lutz Welling: “A nossa aposta passa agora por investir fortemente nas tecnologias relacionais com a conectividade nos veículos e com uma mobilidade mais segura, confortável e autónoma.”

Já a Lactogal, a única empresa portuguesa deste ranking, aposta no lançamento de novos produtos como forma de contornar a quebra de consumo do leite, que cai, em Portugal, há uma década. A tendência estabilizou em 2017 e a empresa conseguiu reverter a queda das vendas do ano anterior e cresceu 5,3%, para 678 milhões de euros. “Foi um ano muito positivo”, destaca Casimiro de Almeida, presidente da empresa, sublinhando que as exportações atingem já os 130 milhões de euros e representam 20% da faturação. Mas o Grupo Lactogal conta ainda com uma unidade em Espanha, a Leche Celta, e que não está contabilizada nestes números.

“Somos um grupo de laticínios ibérico que ocupa posição de liderança no setor”, frisa, sublinhando que 35% das vendas do grupo são feitas em Espanha, 5% noutros países europeus e 4% em África. Portugal vale 50% e os restantes 6% são em mercados diversos. Casimiro de Almeida lembra as especificidades do mercado de produtos lácteos, sujeito a “grande exigência ao nível dos requisitos e da competitividade global”. No entanto, assegura que a empresa não deixa de “procurar e explorar novas oportunidades que vão surgindo”.

O maior desafio da Lactogal são os movimentos contra o consumo de leite. “Temos de continuar a afirmar o leite como alimento de exceção”, diz o empresário. Em 2018, a empresa prosseguirá uma estratégia de inovação, com a introdução de novos produtos. “Estaremos atentos às oportunidades que o mercado apresente e não deixaremos de prosseguir a criação de valor e, dessa forma, contribuir, direta ou indiretamente, para a manutenção de condições para a produção de leite em Portugal”, frisa. E, por isso, tem em curso um investimento de cinco milhões de euros, essencialmente em novos equipamentos para suportar os novos produtos a apresentar ao mercado.

Também a PSA, a fábrica da Peugeot Citroën em Mangualde, vai este ano arrancar com a produção de um novo modelo de carro, o K9. O que permitiu antecipar, em quase um ano, a criação de um terceiro turno para assegurar o final da montagem dos comerciais ligeiros Peugeot Partner e Citroën Berlingo, com a contratação de 225 pessoas.

Com uma taxa de exportação de 88%, a PSA tem em Espanha, França, Portugal, Itália e Grã-Bretanha os seus principais mercados, que se têm mantido estáveis. “Os mercados são os mesmos, só aumentámos a exportação para Espanha e Grã-Bretanha”, diz fonte da empresa, que nesta semana alertou o governo para as condicionantes do sistema de portagens – o K9 vai ter 1,10, logo é um veículo de classe 2 – que “podem ter um impacto direto no emprego” ao prejudicar as vendas.

FONTE: Dinheiro Vivo

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