“Danone não rescindirá contratos e manterá os ordenados até junho”

14 maio 2020

Na Danone Portugal o lay-off não está em cima da mesa e, durante três meses, não só não vai haver rescisões, como a empresa vai garantir os salários dos colaboradores nesse período, assegura Ludovic Reysset, country manager da marca em Portugal. No mercado nacional, a empresa tem 160 colaboradores.

Há mais de 20 anos ligado à Danone, é a terceira vez que Ludovic Reysset regressa a Portugal agora como responsável máximo da empresa no país, onde já tinha tido o cargo de sales manager & proximity manager (2002 e 2008) e sales director (2011 a 2013). Brasil, Japão, Itália e, finalmente, França, onde assumiu a direção comercial global, antes da sua nomeação como country manager em Portugal, foi alguns dos países onde trabalhou.

Assume funções de liderança no mercado nacional num momento em que o país declarou Estado de Emergência para conter a propagação do novo coronavírus, determinando o encerramento de muitas empresas que, para conter a perda de receitas abrupta, está a aderir ao lay-off simplificado. Cerca de 34 mil já aderiu a esta medida de apoio às empresas apresentada pelo Governo.

Aderir ao lay-off é algo que não está em cima da mesa, garante o responsável, que, apesar de admitir que Portugal deverá entrar numa recessão, se mostra ainda assim otimista sobre o desenrolar o ano. “2020 não será um ano fácil, mas acreditamos que podemos crescer e manter a nossa liderança perto dos 40% de quota de mercado”.

Perante a crise gerada pela pandemia milhares de empresas avançaram com lay-off de trabalhadores. É uma opção para a Danone?
Mantemo-nos ao lado dos nossos colaboradores e queremos que eles estejam tranquilos e focados nas suas funções e no apoio às suas famílias. Por isso mesmo a Danone não rescindirá contratos e manterá os ordenados de todas as suas pessoas até final de junho. Um lay-off não está deste modo em cima da mesa neste momento.

Qual é então o vosso compromisso?
Para garantir a proteção social dos seus funcionários, desenvolvemos um conjunto de medidas internas – aplicadas a todos os mercados internacionais – com um compromisso específico durante este período, que passa por salvaguardar a não rescisão de todos os contratos de trabalho devido à crise sanitária, garantindo os rendimentos durante os próximos três meses, seguro de saúde a 100% no caso de licença médica, quarentena ou assistência à infância e prémios salariais para as equipas de produção e distribuição a serem definidos e implementados localmente.

Relativamente aos prémios salariais para as equipas de produção, o que está previsto para Portugal?
Ainda estamos a estudar mas a ideia é atribuirmos prémios a quem de algum modo possa estar mais exposto ou a quem tenha desenvolvido um esforço particularmente elevado em termos de trabalho nesta fase. É algo que na nossa realidade deverá impactar sobretudo os departamentos de comercial e de supply chain (cadeia de fornecimento).

Que medidas implementaram no plano de contingência para enfrentar esta pandemia? Que impacto isso teve no dia-a-dia da operação?
Criámos um comité interno para acompanhamento da situação e aplicação de orientações das autoridades de saúde e do grupo Danone. O plano de contingência por nós delineado compreende um conjunto de medidas que visa a proteção (de colaboradores, clientes, consumidores e população em geral) em todas as fases da cadeia de produção e distribuição, bem como o normal fornecimento de produto. Todas as medidas por nós adotadas estão em linha com as recomendações das autoridades competentes, nomeadamente da Direção-Geral de Saúde (DGS) e, não só promovem a proteção da nossa equipa, como procuram também assegurar a normal capacidade de resposta às solicitações e contactos de todos os nossos clientes, consumidores e parceiros. Para proteção dos nossos colaboradores em concreto, temos todos em regime de teletrabalho desde 14 de março. Naturalmente que é um regime que traz alguns desafios mas até agora tem funcionado bem e estamos orgulhosos do esforço que todos têm feito para manter a empresa totalmente operacional nesta fase difícil.

Empresas e sociedade civil têm-se mobilizado no apoio a médicos e forças ligadas ao combate à pandemia. E no caso da Danone há ações previstas?
Compreendemos que temos um papel a desempenhar e quisemos naturalmente dar o nosso contributo e pusemos em marcha várias iniciativas. Reforçamos as nossas ajudas ao Banco Alimentar a quem demos, só no último mês, mais de 20 toneladas de produto (ou seja, 150 mil iogurtes). Apoiámos com produto outras instituições carenciadas como a Casa, a Crescer, a Comunidade Vida e Paz e Noor Fátima. Associámo-nos à Centromarca e contribuímos financeiramente para a compra de material hospitalar. Facilitámos à Cruz Vermelha uma unidade de refrigeração para acondicionamento de material médico que requer frio.
Lançámos internamente, junto dos nossos colaboradores uma plataforma de crowd funding, que tem como objetivo recolher donativos em dinheiro, valor que no final a empresa duplicará e oferecerá à iniciativa #euajudoquemajuda da Cruz Vermelha Portuguesa – um fundo de combate ao Covid-19, que visa a aquisição de material médico e hospitalar para combater o surto. Doámos milhares de unidades produtos de nutrição específica (Fortimel), a IPO’s – Institutos de Oncologia – Hospitais e Centros de Reabilitação.
E, claro, não podemos esquecer aquele que é um dos nossos principais focos neste momento e que é o de continuar a estar ao lado dos consumidores, trabalhando todos os dias para que não faltem produtos nas superfícies comerciais.

Espera-se depois da corrida aos super que haja uma quebra de consumo. Que impacto antecipa nas vendas da Danone?
Sem dúvida que Portugal vai entrar numa recessão e que o consumo vai ser afetado. Como em qualquer crise económica (como aquela que tivemos há cerca de 10 anos – nessa altura era eu o diretor comercial da Danone Portugal) os consumidores vão preferir produtos mais acessíveis e para um consumo mais familiar.
A crise atual é de natureza sanitária e é uma crise única na história recente do país. Ninguém pode prever exatamente quais serão os impactos mas acreditamos que os consumidores vão procurar cuidar-se mais e, por isso, orientar-se-ão para produtos mais saudáveis. O iogurte é um alimento simples, natural e nutritivo e muito importante como base de uma alimentação saudável diária. Acreditamos por isso que terá um papel importante na vida dos consumidores portugueses no futuro próximo.

Como foi o fecho do ano passado e o que antecipa para 2020, se é possível sequer nesta fase fazer algum tipo de estimativa…
A Danone Portugal fechou o ano de 2019 em linha com o ano anterior, com marcas que se destacaram com uma performance excelente e com crescimento a duplo digito, como foi o caso de Activia, Yopro, Alpro, Dancol de Danette. Obviamente, 2020 não será um ano fácil mais acreditamos que podemos crescer e manter a nossa liderança perto dos 40% de quota de mercado.

FONTE: Dinheiro Vivo

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