Prolacto com projecto de expansão a curto prazo

30 outubro 2019

Prolacto pode investir 4 milhões de euros aumentando a capacidade de produção de ingredientes para nutrição infantil e chocolate

A Prolacto tem um projecto de expansão que passa porque áreas?
Oscar Criado Del Rey (Director Geral da Prolacto) – A Prolacto é uma pequena empresa independente integrada numa multinacional. E o que estamos a fazer, em primeiro lugar, é assegurar e optimização da linha de produção que temos com uma série de investimentos de primeira necessidade, para conseguir a capacidade industrial total.
Os nossos produtos são ingredientes para a indústria de alimentação. Ingredientes baseados no leite fresco transformado em leite em pó, em manteiga e em outros produtos.

Sempre produziram manteiga?
Sempre, sim. A manteiga, no passado, foi um subproduto. Fazes leite em pó magro e fica-se com manteiga.
O produto que nós temos pode chamar-se, de uma forma simples, leite em pó. O leite em pó é uma commodity que pode ser utilizada em qualquer tipo de processo industrial. Os nossos produtos finais são ingredientes industriais baseados em diferentes formas de leite em pó. O que quer dizer que fazemos uma série de alterações ao leite em pó para que tenha diferentes funcionalidades.
Por exemplo, os nossos mercados mais importantes são os da nutrição infantil. Quando estamos a preparar o ingrediente para a nutrição infantil, temos de ter uma série de cuidados, uma série de processos no leite em pó transformando-o num ingrediente com os níveis de qualidade e de segurança alimentar que são necessários para ser utilizado no produto final nutrição infantil.
Para o segmento do chocolate, a mesma coisa. Fazemos uma série de alterações ao leite em pó para a funcionalidade dentro das linhas de produção para o produto final chocolate. E para bebidas, a mesma coisa.
Nos trabalhámos com as temperaturas, com a partícula, com a solvibilidade e maleabilidade de diferentes parâmetros do produto. Então, o que estou a dizer é que fazemos um produto que tem umas características específicas para segmentos de mercado muito específicos.

E uma parte do investimento que vão realizar tem por objectivo optimizar as linhas de produção destes ingredientes?
Certo. O primeiro investimento, realmente, tem sido na transformação digital. Estamos a assegurar uma infra-estrutura tecnológica que facilite a implantação de diferentes swoffers de gestão: produção, compras e gestão de manutenção para conseguir uma visibilidade das várias fases do processo mais real e com mais exactidão do que tínhamos anteriormente.
Com isto, estamos a ver que temos várias áreas onde poderíamos fabricar mais e melhor.

Por exemplo?
Um dos exemplos é a área de utilização de energia e de transformação de energia em temperatura, em vapor, em diferentes factores de produção.
Outro exemplo, ter mais visibilidade no controlo de perdas. Controlando perdas e controlando diversos factores de produção conseguimos fabricar mais com o mesmo leite fresco.
A segunda linha de investimento vai ser modernizar algumas partes acessórias da linha de produção. Não a linha nuclear de produção porque tudo o que temos está em perfeito estado de produção. E fazendo algumas pequenas alterações, poderemos conseguir mais produção.

Vão aumentar a produção?
Sim. Já aumentamos a produção em referência ao ano passado em 10%. O ano passado tivemos uma facturação de 28 milhões de euros. E, este ano, esperamos crescer em 5%.

Além dos ingredientes e da manteiga, vão produzir outros produtos lácteos?
Temos um plano para, no futuro, investir em produtos que valorizem os componentes sólidos do leite fresco, nomeadamente a proteína e a matéria orgânica.

Quando produzem ingrediente para a nutrição infantil e para o chocolate, vendem estes ingredientes a outras indústrias?
Sim, a outras indústrias de alimentação e nutrição.

O ano passado receberam quanto leite?
O ano passado recebemos perto de 68 milhões de litros de leite e vamos chegar ao final deste ano com cerca de 75 milhões. A nossa perspectiva é que estaremos a transformar mais ou menos metade do leite da UNILEITE e da Bel, que é uma coisa que na ilha não é conhecido porque os anteriores proprietários não partilharam informações deste tipo. Somos um operador industrial na ilha com um potencial entre 80 e 100 milhões de litros de leite.

Vão atingir os 100 milhões de litros de leite quando?
(sorriso) Não no próximo ano. Este é um plano a três anos. Não queremos, tão pouco, desestabilizar o sistema de lacticínios da ilha, mas vamos fazer o nosso trabalho de pesquisa de novos clientes em Portugal e de novos mercados em novos países. E já este ano temos feito muito neste sentido.
Às vezes, as pessoas falam de excedentes. Não há excedentes de leite, há, sim, boas estratégias de vendas.

A Prolacto não tem excedentes?
Não conheço a palavra excedente. Só conheço boas estratégias de vendas que consigam posicionar o produto transformado.

Disse que tem um plano a três anos. Neste período pretende investir quanto?
(sorriso) Isto não posso dizer. Temos vários projectos. Estamos, neste momento, a desenvolver a parte financeira. E não é o momento de anunciar qual vai ser o nosso investimento.

Não quer falar sobre o investimento?
É um projecto com várias fases. E o investimento vai depender muito do mercado e do desenvolvimento dos nossos clientes. Temos vários níveis de investimento. Poderá ser um investimento de quatro milhões de euros daqui a três anos. Mas é preciso falar com diferentes influências, dependências, para conseguir este investimento.
A realidade é que nós chegámos tarde à festa. Os grandes projectos de interesse regional já foram feitos e agora vamos ter que assegurar que temos as ajudas e o financiamento para estes novos desenvolvimentos e para a criação de novos produtos.

Já tem projectos apresentados aos fundos comunitários?
Estamos a preparar projectos para concorrer aos fundos comunitários. Nós precisamos de todas as ajudas.

E os vossos clientes estão onde?
O nosso principal cliente é, ainda, a Nestlé que representa, no ano que vem, mais ou menos 50% do nosso negócio. Os outros são clientes em Portugal, em Espanha, em Itália, em África e em França. Já estamos a fazer os registos para começar a enviar produto para a China que é um país que tem um crescimento esperado de ingrediente de nutrição infantil de 30% no próximo ano.
Potenciais clientes chineses já estiveram a visitar a Prolacto Azores e manifestaram-se muito interessados. Eles viram a nossa tecnologia, os nossos processos de gestão, os nossos índices de qualidade e segurança alimentar que estão a um nível internacional e ficaram muito interessados.
Tivemos cá os clientes chineses, mas também clientes de Espanha e da Bélgica que se manifestaram muito interessados.

Já enviou alguma encomenda para a China?
Eles queriam comprar mas ainda não podem porque temos de estar registados para podermos exportar para a China. Há processos de auditoria e de sanidade alimentar que a China tem de acordar com cada país. Estamos na fase de fazer as auditorias.

Mais de uma vez se deu a notícia de que a Prolacto fabricava o melhor ingrediente para nutrição infantil.
Certo. Agora, o nosso negócio está, em 30%, virado para a nutrição infantil. E vamos manter e até crescer este tipo de mercado. Este é o mercado de maior exigência e onde outros fabricantes não podem entrar. Nós já estamos lá.

Isto devido à boa qualidade do leite açoriano…
É claro. Não temos dúvidas sobre a qualidade do leite açoriano. É verdade que nós trabalhamos, essencialmente, com os produtores de leite que têm boas práticas e cuidados com o leite para poderem ter um leite com um uma qualidade acima do leite standart.

Recebendo leite dos produtores, a Prolacto vai ser mencionada quando se falar de aumento do preço do leite à produção…
Fala-se muito nos Açores no preço do leite. É na televisão, nos jornais, na rádio, há sempre a reivindicação do preço do leite pago aos produtores. Mas o produtor tem uma empresa com custos de produção e tem factores de produção. E nunca ouvi falar se os preços dos factores de produção estão muito altos ou muito baixos. Deveríamos ter aqui também a consciência de como ajudar os produtores a obter o lucro desejado nas suas explorações, trabalhando a dois níveis: Não só o leite pago, mas também o preço dos factores de produção. Este é um tema que nunca é debatido aqui.

Está a considerar que os factores de produção são uma componente muito importante na rentabilidade da exploração…
Claro, são. Mas disto não se fala nos Açores.

Nota-se nas suas palavras que há uma grande vontade de ver a Prolacto crescer…
Claro. Com pouco investimento podemos estar a produzir mais de 20% do que a capacidade que temos hoje. É preciso um pouco de atenção e gerar as oportunidades no mercado.
O projecto da Prolacto sempre foi um projecto de geração de valor. A Prolacto, como empresa independente, é uma boa oportunidade de negócio. Se não fosse assim, não a adquiríamos. Este é um tipo de investimento de geração de valor e de crescimento.

Vão criar condições para que a Prolacto seja mais rentável a futuros proprietários…
Sim, terá mais valor para os proprietários, terá mais valor para os empregados e terá mais valor para os produtores de leite e para a administração também.

Como reage às campanhas que se têm feito contra o consumo de leite?
Qualquer pessoa é livre de partilhar as suas opiniões e de fazer estudos. Ao mesmo tempo que há tendências contra o leite, existem muitas outras a favor do leite.
Vemos uma tendência para o consumo de produtos orgânicos, produtos com respeito pelo animal. E, por isso, estamos a pedir ao Governo dos Açores uma certificação oficial de leite de pastagem. Já há países como a Irlanda, Alemanha e Holanda, que estão posicionando os seus produtos com leite de pastagem. E eles nunca conseguiriam o número de dias em que as vacas estão nas pastagens como nos Açores. Então, temos a oportunidade única, como Região que favorece um ecossistema único de turismo sustentável, para termos, também, factores da agricultura em termos de sustentabilidade.
Nos temos clientes que, assim que se fala dos Açores, eles julgam que o produto é orgânico. E há já uma associação com a Marca Açores. Se há tendências contra o leite, também há muitas tendências a favor do leite no centro da Europa, nos Estados Unidos e na China.
E há certos tipos de alergias que podem ser eliminadas com a transformação do leite e facilitar o consumo dos produtos de lacticínios.
Pretende que o Governo se empenhe na certificação oficial do leite de pastagem ?
Sim, que dê a facilidade para que os produtores que estão a gerir as suas explorações com leite de pastagem, cumprem uma série de requisitos para serem certificados oficialmente. Nós podemos desenvolver a nossa própria certificação regional com as condições requeridas pelos certificados oficiais. E se alinharmos esta certificação com a União Europeia, temos mais valor porque passaria a ser valorizado por certos consumidores onde os nossos ingredientes vão chegar.

Valorizando todas as linhas de produção, está a valorizar o leite que a Prolacto Azores recebe?
Sim, estamos a dinamizar as nossas vantagens e desvantagens competitivas. E qual é a conclusão? Temos uma localização no meio do Atlântico, o que poderia ser uma fraqueza ou poderíamos converter esta localização num valor. E uma empresa em Astúrias, em Espanha, pode fazer o mesmo tipo de manteiga que nós? Não pode porque não podem fazer manteiga dos Açores.
Este é um valor muito importante. Além do mais, há um crescente interesse por produtos de origem. E as pessoas interessadas em produtos como o leite, estão interessadas em saber de onde vem este leite. E o facto de ele ser produzido nos Açores é uma das oportunidades que temos no mercado.

Está a relevar a Marca Açores como oportunidade de valor no mercado?
Sim, é importante. E temos também clientes industriais que valorizam a regularidade do produto. Como é um produto que, na sua linha de produção, tem de funcionar sempre da mesma forma. Como estamos em circuito fechado em São Miguel, a probabilidade de variação das características do produto é muito pequena. Se está no meio da Europa ou em Espanha, as grandes empresas têm diferentes origens do leite e jogam com isso. Não temos esta oportunidade, que se traduz na vantagem de termos regularidade na funcionalidade do produto.

Está a dizer que os produtos que saem da Prolacto têm determinadas características que se vão mantendo inalteráveis ao longo do tempo e este facto é uma mais-valia para o cliente.
Claro. O industrial vai receber o nosso ingrediente sempre nas mesmas condições. Aqui as condições variam um pouco muito por causa da sazonalidade.

Quer mais ingrediente na linha da nutrição infantil, mais ingrediente na linha do chocolate, mais ingrediente na linha das bebidas…
… que se vendem em máquinas; e mais ingredientes para clientes com comidas preparadas como, por exemplo, pizas, lasanha que surgem empacotadas nos supermercados, entre outras.

Parte do leite que a Prolacto recebia era da UNILEITE. Continua a ser assim?
Sim. Mas é natural que não possamos ter todo o fornecimento num só fornecedor…

A Prolacto está, portanto, a receber novos produtores?
Nós já avançamos este ano com novos produtores. Temos uma recolha própria. Sim, claro, já está a funcionar.

E o objectivo é ir aumentando o número de produtores e diminuir a dependência da UNILEITE?
Sim. É natural. Se eu vou trabalhar com um banco, a primeira coisa que me perguntam é: da parte dos fornecedores qual é o risco. E se responder que tenho apenas um fornecedor, o banco responde que tenho de ter outras alternativas.
Vamos manter sempre a UNILEITE como grande parceiro nosso. É um parceiro que está connosco desde a fundação da Prolacto há 50 anos. Temos uma boa relação com a nova administração. E estamos a falar deste tema de forma lógica. Mantemos a UNILEITE como grande parceiro, claro. A estrutura que eles têm não existe outra na ilha.

Destes ingredientes, o de maior relevância é o dirigido para a nutrição infantil?
Sim, para nós, a nutrição infantil é o produto que mais valoriza o ingrediente e onde a concorrência é menor.
Estamos a trabalhar com os produtores, para que eles consigam os níveis de qualidade do leite que necessitamos para este tipo de ingrediente.
Vamos continuar a nossa relação com os produtores. Oitenta por cento do nosso negócio é leite fresco. E a nossa relação com eles é fundamental. Estamos a fazer um contacto directo permanente de formação e de boas práticas com os produtores.

Estão a pedir aos produtores para produzirem com mais qualidade…
Claro. Já fazemos uma distinção. Já este ano começamos a valorizar mais os componentes sólidos do leite, a proteína e a matéria gorda.

Mantiveram o mesmo número de trabalhadores?
Chegamos aqui e decidimos manter a equipa de gestão, valorizando assim o seu trabalho. Passamos de 70 a 75 colaboradores. E o nosso interesse é manter uma equipa na Prolacto de 75 pessoas comprometidas com o projecto. As mudanças nunca são fáceis, mas vamos conseguindo os nossos objectivos. O nosso marco remuneratório e condições laborais está próximo do mercado industrial em Portugal. Estamos muito orgulhosos disso. E vamos manter a nossa estratégia de manter as nossas boas condições de trabalho.

FONTE: Correio dos Açores

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