Sabor hereditário

17 maio 2018

Começou como uma pequena queijaria e é hoje uma das principais produtoras nacionais de queijo, com uma produção de 4000 toneladas/ano. O segredo? Visão para o negócio e uma receita que se mantém na família Duarte há mais de 50 anos.

Nos anos 60 do século passado, Carlos e Ludovina Duarte fundaram uma pequena queijaria em Lousa, conselho de Loures, onde produziam queijo fresco de forma artesanal. Todos os dias, o casal rumava à baixa de Lisboa para vender os produtos em pequenos restaurantes e cafés tradicionais. “Levavam os queijos em caixas próprias no autocarro até ao Campo Grande e daí vendiam no centro da cidade até acabar”, conta a filha, Dina Duarte.

Mais de 50 anos volvidos, o pequeno negócio, que começou a quatro mãos, é hoje das principais empresas nacionais de produtos lácteos, a Montiquejo, com cerca de 80 colaboradores. Ainda baseada em Lousa, a empresa especializada na produção de queijo de vaca – que está agora nas mãos dos filhos dos fundadores, com Dina Duarte no papel de directora-geral – conta hoje com uma estrutura industrial que lhe permite produzir mais de 4000 toneladas/ano de queijo, mantendo a receita original, que vai passando de geração em geração na família Duarte. No ano passado, o volume de negócios da empresa rondou os 6.3 milhões de euros.

E se o queijo fresco de vaca continua a ser o produto estrela da Montiqueijo, o portefólio da empresa estende-se ainda ao requeijão e ao queijo curado – que “tem cada vez mais peso na atividade da empresa”, adianta Dina Duarte –, num total de 12 referências de produto, em diferentes formatos e quantidades.

A marca tem vindo a introduzir algumas inovações no mercado, de que o exemplo máximo o queijo fresco em barra (na variedades Tradicional, Tomate e Manjericão, e Alecrim), “um formato e uma solução única no mercado”, garante a drectora-geral. “Fomos igualmente pioneiros a retirar o cincho (molde cilíndrico que aperta o queijo) dos produtos, garantindo maior qualidade aos queijos frescos e reduzindo a utilização do plástico em mais de 50 toneladas anuais”, sublinha.

Inovações que podem ser saboreadas no mercado nacional, mas não só. Há dois anos, a Montiqueijo abriu o apetite do mercado internacional. Se no final de 2016 as exportações representavam apenas 1% do volume de negócios da empresa, no ano passado esse número subiu para 5%, sendo que a expectativa é continuar a crescer. Entre os principais mercados da Montiqueijo estão em Inglaterra, França, Bélgica e Polónia. “Estamos também a trabalhar o mercado asiático, que é o mais desafiante por ser tão diferente do europeu”, revela a directora-geral.

Do campo para a prateleira
Para além da fábrica de produção de queijo de vaca, em Lousa, a Montiqueijo detém uma empresa dedicada à produção própria de leite, a AgroLeite, o que lhe permite controlar toda a cadeia de valor.

A empresa adquiriu a herdade onde viria a criar a AgroLeite, em Canha (no concelho do Montijo), em 1999, quando percebeu que havia possibilidade de escalar o negócio de queijo fresco para outros pontos do País para além de Lisboa, com uma estrutura de custos mais controlada e um maior controlo de qualidade. Ali, viria a instalar uma vacaria atualmente com mais de duas mil vacas – e modernos equipamentos técnicos. “A par de todas as inovações que temos feito, a nossa principal diferenciação para por sermos a única empresa no mercado com fileira completa e que controla os eus produtos desde a origem”, frisa Dina Duarte.

Este investimento surgiu “numa altura em que nos deparamos com uma dimensão de negócio que requeria maiores infraestruturas de produção. E como, para nós, a qualidade e controlo de todo o processo produtivo era, e continua a ser, um dos grandes focos, decidimos que deveria ser feito por nós. O controlo de qualidade começa desde o cereal que alimenta a vaca até à recolha do leite w posterior tratamento que se torna a matéria-prima principal dos queijos”, explica Dina Duarte. “Termos produção própria de leite trouxe-nos a possibilidade de dar resposta à procura do mercado e de expandir o negócio”, explana. Atualmente, a AgroLeite (que tem dois dos filhos dos fundadores da Montiqueijo como sócios gerentes) emprega 20 pessoas e tem a capacidade para produzir sete milhões de litros por ano, que se destinam sobretudo à produção da Montiqueijo.

Para a empresa familiar, o facto de ser proprietária da AgroLeite é um garantia de que tem o controlo total sobre a cadeia de valor. “Temos uma estrutura própria que acarreta grandes encargos financeiros, mas da qual não abdicamos para garantir a qualidade dos nossos produtos”, assegura, Dina Duarte.

Nova imagem
Para acompanhar as tendências do mercado, a Montiqueijo tem vindo a reforçar o portefólio com diferentes tipos de produto, como é o caso do queijo fresco magro ou sem lactose (disponíveis em embalagens de 85g). No ano passado, lançou também o requeijão de 85g para evitar o desperdício alimentar.

Depois de, em 2017, ter investido cerca de 4,5 milhões de euros na ampliação da fábrica em Lousa, que emprega 60 colaboradores, a marca está a prepara o lançamento de novos produtos para este ano. “Para continuarmos a crescer e a satisfazer o consumidor, temos de nos adaptar às suas necessidades e gostos e, como tal, lançar novos produtos disruptivos, quer nos formatos, quer nos sabores”, sublinha a directora-geral.

Quando À estratégia de distribuição, os produtos da Montiqueijo estão presentes nas grandes superfícies (distribuição moderna), mas também em lojas de rua, sendo que a estratégia é sempre adequada aos canais, Quer em termos de tipos de produto, quer em ações promocionais. A marca estreou recentemente uma nova imagem, com o objetivo de ter maior visibilidade nos lineares. “A nossa estratégia passa por sermos flexíveis e conseguirmos uma adaptação perfeita aos diferentes canais de distribuição. A distribuição moderna é bastante dinâmica, pelos motivos de dimensão, concorrência, oferta disponível e shooper. Aí, se trabalhamos a embalagem de uma forma diferente e o tipo de rotulagem utilizada permite-nos desenvolver de uma forma mais interessante o nosso packaging. Para nos destacarmos ainda mais no linear, temos uma nova imagem, que é mais apelativa visualmente, e já está presente em alguns produtos, como o queijo fresco e o requeijão”, revela Dina Duarte.

Do ponto de vista da comunicação, eventos como a Festa do Continente ou a Feira dos Queijos e Enchidos (também do Continente) são importantes e têm contado com a presença da marca.

E porque quem sabe nunca esquece, tal como acontecia em 1963, como fundou a Montiqueijo, Carlos Duarte continua a produzir queijo diariamente, agora na fábrica, onde o saber fazer de antigamente se mistura com a tecnologia. É ele o principal controlo de qualidade dos produtos. E é este o seu legado. “É essa tradição, juntamente com a qualidade da matéria-prima, que contribui para o crescimento da empresa e para o reconhecimento da empresa e para o reconhecimento de qualidade que temos tido ao longo dos anos”, conclui Dina Duarte.

FONTE: Revista Marketeer

Associadas

Parcerias

Objectivos

‘‘Os objectivos da ANIL centram-se na defesa dos interesses e representação do sector, no acompanhamento das matérias legislativas, normativas, ambientais, económicas e técnicas que contribuam para o desenvolvimento da indústria láctea em Portugal...

Calendário

Redes Sociais

Top
ATENÇÃO: Este site apenas usa os cookies para lhe facilitar a navegação enquanto utilizador.
Saiba mais sobre cookies OK Decline