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Projeto nascido na universidade está a ser desenvolvido em parceria com a Unileite e vai criar mais-valia no mercado. A Unileite pretende lançar em 2019 um novo leite no mercado naturalmente enriquecido em iodo, num projeto a dois anos que está neste momento a ser desenvolvido no terreno em parceria com uma equipa de investigadores da Universidade dos Açores.

Trata-se de um projeto desenvolvido por uma equipa do Instituto de Investigação em Vulcanologia e Avaliação de Riscos (IVAR)da Universidade dos Açores, liderada pelo professor do departamento de Biologia, Armindo Rodrigues, que é também o investigador responsável pela unidade de Saúde Pública do IVAR. A Unileite quis associar-se a esta ideia que, enquanto projeto de investigação, não conseguiu financiamento por parte do Governo Regional, embora veja agora reconhecida a sua virtude através da aplicação prática e do apoio de uma indústria. E segundo apurou o Açoriano Oriental, a Unileite pretende, aliás, recandidatar este projeto, agora já enquanto projeto industrial, aos fundos comunitários.

“Este projeto surge de uma necessidade da população açoriana, que tem uma carência bastante acentuada de iodo, em particular as crianças”, afirma Armindo Rodrigues, em declarações ao Açoriano Oriental.

A equipa liderada por Armindo Rodrigues realizou um estudo comparativo da população de São Miguel com a de Santa Maria, que é juntamente com a Graciosa a ilha mais rica em iodo no contexto dos Açores. No caso de São Miguel, foram escolhidas as freguesias das Furnas e Ribeira Quente, com a amostragem a incidir nas crianças. “Percebemos claramente que as crianças em idade escolar que estudámos na ilha de São Miguel apresentavam carências bastante acentuadas de iodo, enquanto que em Santa Maria, a grande maioria das crianças tinha níveis adequados de iodo”, refere o investigador.

A falta de iodo nos Açores é estranha, na medida em que o mar é o grande reservatório deste elemento químico e as ilhas são ‘varridas’ regularmente pela maresia. Contudo, a intensa pluviosidade, mais acentuada em São Miguel, os declives no terreno e a própria profundidade do mar junto à costa são fatores que se conjugam para que o iodo seja ‘lavado’ por assim dizer dos terrenos, antes de se infiltrar e escoado novamente para o mar.

A comprová-lo está o facto dos solos da ilha de São Miguel, que foram estudados pelos investigadores da Universidade dos Açores, demonstrarem, no geral, uma carência de iodo face aos solos de Santa Maria. Mas na maior ilha açoriana há exceções, uma vez que existem zonas com bastante iodo nos solos, sobretudo na costa norte da ilha e outras mais pobres em iodo.

Por isso, refere Armindo Rodrigues, “existindo zonas muito ricas e outras pobres em iodo, as zonas ricas em iodo poderão permitir que vacas alimentadas nas pastagens dessas zonas possam produzir um leite naturalmente enriquecido em iodo, sem ser necessário adicionar nada”.

Ou seja, a intenção é criar um produto natural, de acordo com a imagem de marca dos Açores, para fazer face aos leites artificialmente enriquecidos com iodo que já existem no mercado, sobretudo vindos dos países grandes produtores como a Alemanha, a Irlanda ou a República Checa. E como a carência de iodo afeta milhões de pessoas em todo o mundo, este novo leite teria também mercado de exportação, pelo facto de ser enriquecido naturalmente e não de forma artificial como acontece nos leites enriquecidos em iodo que já existem no mercado.

A equipa liderada por Armindo Rodrigues já está a trabalhar no terreno juntamente com a Unileite desde janeiro e, com base nos estudos já realizados, procura-se agora compreender o mecanismo de transferência do iodo do solo para a erva e desta para o leite, de modo a se poder dar garantias de que o futuro leite que vier a ser comercializado está, efetivamente, enriquecido naturalmente em iodo, nem necessitar de processos artificiais de enriquecimento.

Essencial no processo de fabrico deste leite inovador será a separação da pastagem até à embalagem deste leite naturalmente enriquecido em iodo do outro leite, recolhido em pastagens da ilha mais pobres em iodo. “É um pouco como termos uma região demarcada para este leite, como acontece com o vinho no continente”, conclui Armindo Rodrigues.

Iodo é essencial para a saúde humana
O iodo é um elemento químico importante para a saúde humana, uma vez que é essencial para a glândula Tiroide, localizada no pescoço e que desempenha um papel importante no metabolismo, na regulação do corpo e no bom funcionamento dos seus órgãos.

Os problemas da Tiroide resultantes da carência de iodo, sobretudo quando essa carência começa na infância, podem também levar a atrasos no desenvolvimento cognitivo.

Por exemplo, um estudo realizado com crianças dos Açores chegou à conclusão que a carência de iodo era um fator que podia levar a um menor Quociente de Inteligência (QI) nas crianças.

O QI é um teste padrão utilizado internacionalmente para avaliar a capacidade de raciocínio.

FONTE: Açoriano Oriental

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