2012.08.16 (00:00) Açores
A Unileite é uma cooperativa e qualquer compensação melhor aos produtos é interessante. Este ano foi muito bom em termos de produção de erva e os produtores aproveitaram e tiraram mais leite. Para a cooperativa é bom, porque é uma cooperativa em crescimento e vem ajudar à sustentabilidade do novo projecto que foi agora inaugurado, refere Gil Jorge Oliveira, presidente daquela União de Cooperativas.
Havendo mais produção, a tendência é haver mais exportação e trazer mais riqueza para os Açores o que é bom para todos, porque os países precisam neste momento de exportar mais, porque quando se exporta trazemos dinheiro para a região. Quando se produz mais há mais rendimento para os produtores e para a região. A questão dos produtos estrangeiros que entram no mercado nacional e regional é preocupante porque são excedentes de grandes países e de grandes produções, e 10% deles vem-nos fazer frente.
Quando esses produtos chegam a Portugal a preços muito baixos, com preços quase abaixo do custo de produção é preocupante e isso acontece quando há muitos produtos a nível europeu isso acontece. Este ano como houve muita produção, não só a nível Açores mas também a nível Europeu afecta-nos ainda mais.
No que diz respeito à abolição das quotas, há aqui uma grande preocupação. Portugal e os Açores sempre defenderam que não houvesse abolição das quotas e neste momento já se começa a notar outros países que se estão a juntar a nós e começam a aumentar as expectativas que o fim das quotas pode não acontecer. Nunca devemos desistir e devemos ficar até à última hora na expectativa que isso possa acontecer. Penso que já há 3 ou 4 países que já se juntaram a Portugal e já se começa a aumentar a pequena possibilidade de haver uma nova medida. Nos Açores sempre que se produzir mais e com qualidade é bom para a região e para os produtores da região.
“Qualidade é palavra de ordem”
Este aumento da produção é positivo desde que a indústria acabe por transformar e comercializar todo o produto. O único sector que tem aumentado a produção é o sector agrícola e o sector leiteiro, que é aquele que tem mais impacto na nossa economia. Este aumento de produção tem a ver com as condições climatéricas no Inverno que levou a muita produção de erva e durante muito tempo o preço do leite esteve equilibrado, o que fez com que houvesse um aumento excelente da produção, indica Jorge Rita, presidente da Associação Agrícola de São Miguel.
Este grande aumento de produção é muito positivo atendendo a que também os agricultores nacionais têm vindo a baixar a produção em algumas regiões. O que precisamos é de produzir com qualidade e de forma sustentada desde que a indústria também consiga transformar e comercializar todo o leite recebido e é um sinal muito positivo que este aumento de produção possa ter reflexos no incremento de novos mercados a nível nacional e até internacional.
O mercado nacional é um mercado aberto aos produtos regionais, com uma aceitação extraordinária, e penso que a internacionalização também deve continuar pelo que as indústrias devem procurar sempre estes mercados para darem valor acrescentado aos produtos da região.
Ainda não sabemos que impacto pode ter a abolição das quotas leiteiras, principalmente nos países do Sul da Europa e nos mais periféricos. Temos consciência que devido à nossa pequena dimensão esta abolição pode trazer questões que podem ser complicadas no futuro mas temos de trabalhar com esse cenário no sentido de, em conjunto, podermos ultrapassar essa situação.
À produção compete produzir com qualidade e correspondemos a todos os desafios, compete ao governo regional criar mais e melhores infraestruturas e à indústria compete valorizar os nossos produtos no mercado.
A lavoura “está a fazer o trabalho bem feito...”
Tudo o que for aumentos, que signifiquem aumento de rendimentos ao produtor, é positivo. Se a produção de leite está a aumentar é porque da parte da lavoura o trabalho está a ser bem feito e estamos a produzir mais e melhor. Neste momento nos Açores, e em São Miguel, a qualidade do leite tem melhorado. O trabalho da produção está a ser feito e bem feito, a indústria tem feito o possível e há grandes inovações por parte de algumas indústrias mas era bom que todas essas inovações fizessem passar mais algum rendimento ao produtor, explica Hélio Carreiro, da Associação dos Jovens Agricultores Micaelenses.
Uma expectativa que temos é o retorno da chamada sazonalidade que nos foi retirada há alguns meses atrás, de forma a fazer face às despesas já que todos os factores de produção têm aumentado de forma flagrante, o que poderá ser preocupante para grande parte dos produtores. Se o preço do produto se mantiver, face àquilo que estamos a usar para o produzir, grande parte das explorações vão ter problemas.
Penso que o problema do fim das quotas não será fácil de resolver, apesar de já haver mais países a fazer pressão para que as quotas não acabem. Concordo com a continuidade do sistema de quotas, mas julgo que devia haver da parte dos nossos governantes maior atenção para que começassem a usar políticas de futuro e não políticas do presente, que é o que se vê actualmente.
As populações estão a procurar sempre os produtos mais baratos e é complicado para as fábricas gerarem rendimento com produtos de baixo valor. É verdade que temos produtos de valor acrescentado, temos uma Marca Açores em que se devia apostar mais. A maioria do produto dos Açores é colocado no mercado nacional mas talvez se deva trabalhar mais certos nichos de mercado com produtos específicos e tentar colocá-los em outros países. Ainda há muito a fazer nesse sentido.
FONTE: Correio dos Açores
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