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Multinacional suíça que protege marcas portuguesas

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2012.08.07 (00:00) Associados
O Nestum Mel, um produto único no mundo, e a Cérélac, desenvolvida em Portugal, são dois exemplos da aposta da Nestlé na produção nacional. Uma prova de que a suíça Nestlé confia no potencial das marcas portuguesas chama-se Buondi. Sempre que tem planos para entrar num novo mercado, é esta a marca de café que a multinacional passou a usar para testar as preferências dos consumidores e, depois, para os conquistar.

Uma estratégia recente do grupo suíço para a internacionalização, mas que reflecte a aposta dos seus executivos nas marcas nacionais.

A portuguesa Buondi não é a única marca que a Nestlé encara como coqueluche no seu vasto portefólio de produtos alimentares. Nestum, Cérélac, Pensal e mesmo outras marcas de café - Sical, Tofa, Christina - e ainda as bebidas Tofina, Mokambo, Bolero, Pensal e Brasa integram essa lista de marcas de prestígio, com direito a manter a sua identidade nacional.

A ligação da Buondi à Nestlé deu-se em 1993, quando a multinacional comprou a Montarroio ao grupo RAR, passando então a deter a marca de cafés. A partir desta data, o café Buondi passa a ser torrado e embalado na fábrica que a empresa possui em S. Mamede de Infesta, no Porto. Daqui para a internacionalização da marca portuguesa foi um pulo: hoje, a Buondi tem como destino países tão diversos como África do Sul, Austrália, Rússia, Turquia, Maurícias, Dubai ou a maioria dos países europeus. Só no ano passado, a Nestlé facturou mais de 624 milhões de euros, dos quais 80 milhões - que correspondem a um crescimento de 27,3% em relação ao ano anterior - foram exportações.

A marca Nestum, porém, é a que mais memórias reclama junto dos consumidores portugueses e a que mais emociona todos os colaboradores da empresa - isto porque o Nestum Mel foi desenvolvido em Portugal. "Foi um funcionário de Avanca que o desenvolveu em colaboração com os colegas na Suíça. É um produto único no mundo", enaltece Deolinda Nunes, directora de relações corporativas da Nestlé. A marca de flocos de cereais nasceu em 1958 e rapidamente se tornou um sucesso sem paralelo no mercado, dado que foi o primeiro produto claramente dirigido para o pequeno-almoço.

Passados mais de 50 anos, confirma Deolinda Nunes, continua a ser um sucesso de vendas. Talvez por isso vários colaboradores destaquem o facto de a empresa acompanhar várias gerações e ter produtos para todas, como salienta Delvino Silva, gestor de logística: “É uma empresa que está presente em todas as gerações”. Tanto assim é que Deolinda Nunes não estranha o facto de mais de um terço dos portugueses estar convencido de que a Nestlé é uma empresa portuguesa, como revelaram os inquéritos feitos pela empresa.

Outro produto marcante no catálogo da empresa é a Cerelac, também desenvolvido em Portugal. Lançada no mercado em 1954, a farinha láctea ganhou notoriedade ao protagonizar as primeiras campanhas de publicidade em jornais portugueses. Co  nomes como “Grande Concurso de Bebés Nestlé” e, mais tarde, na televisão, quando esta surge em Portugal em 1957, a Cérelac ganhou um estatuto próprio entre os consumidores e dentro do próprio grupo.

Mas nem tudo têm sido sucessos para a empresa de origem helvética em Portugal. Primeiro, foi a compra da marca de chocolates Raja, em 1984, que anos mais tarde deixaram de ser comercializados. Depois as dificuldades em concorrer no segmento de gelados onde a rival Olá, da Jerónimo Martins, continua dominante.

Exportações crescem 27%
A companhia registou vendas consolidadas de 624 milhões de euros nas actividades que detém em Portugal, no ano passado. Face a 2010, houve um crescimento de 3,6%, com destaque para o comportamento das exportações. Nestas vendas externas – em que “80% vão para sociedades afiliadas do grupo” Nestlé –, o valor das vendas aumentou 27,3%, para 80 milhões de euros, representando assim quase 13% do consolidado pela “holding” alimentar no País.
 
Já as vendas no território nacional cresceram 0,8%, para 544 milhões de euros. Do total das vendas, 180 milhões de euros vieram da área das bebidas – onde a companhia inclui os circuitos fechados de café, como a Nespresso e a Dolce Gusto e onde lançou agora o produto solúvel Nestlé Galão. Assim, o negócio de torrefacção de café (concentrada na fábrica do Porto, com as marcas Buondi, Sical, Tofa e Christina, as duas áreas valem 240 milhões de euros, ou seja 44% to total realizado em Portugal.

Sempre apostámos e continuamos a apostar no País”
Para o responsável máximo da Nestlé Portugal, António Reffóios, sair do País devido à actual crise está fora de questão. Sobre os colaboradores portugueses, não tem dúvidas de que "gozam de uma excelente reputação".

Diário Económico (DE): Num mundo cada vez mais globalizado e onde o capital não tem pátria, a empresa sempre apostou em Portugal. É uma empresa diferente ou é uma aposta forte no país?
António Reffóios (AR):
A Nestlé é uma empresa com uma cultura muito própria. Em cada mercado onde está presente, a companhia procura apostar nos gostos locais e envolve-se com os consumidores para ir ao encontro das suas preferências e conveniências. É isso que temos feito ao longo de quase 90 anos de presença em Portugal (cumpriremos 90 anos em 2013). Outra aposta forte resulta do cuidado que a Nestlé tem, em qualquer mercado, em partilhar valor com a sociedade ao longo de toda a cadeia de valor.

DE: Que exemplos pode dar?
AR:
Posso dar como exemplo o apoio que prestámos nos anos 40 aos produtores de leite da região de Avanca, onde se localiza a nossa mais antiga fábrica, em que subsidiámos a compra de vacas e ajudámos os agricultores a tornar mais eficientes as suas explorações, conseguindo com isso um melhor rendimento para as suas famílias, ao mesmo tempo que garantiam à Nestlé o fornecimento de leite necessário à sua produção fabril. Sempre apostámos e continuamos a apostar no país. Somos uma empresa de base industrial, temos quatro fábricas em Portugal e exportamos uma parte significativa da nossa produção: 80 milhões de euros em 2011. Em Portugal gozamos de uma reputação ímpar e temos sido merecedores, ao longo de gerações, da confiança dos portugueses e é para manter essa relação de confiança que todos os dias as nossas 1.850 pessoas trabalham na Nestlé Portugal.

DE: Esta crise vai levar a uma saída do País?
AR:
Como referi, a Nestlé está em Portugal há 90 anos e tem acompanhado a história do País e, mesmo em momentos mais agitados da vida política e económica portuguesa, sair nunca foi uma opção.

DE: Como é que a empresa-mãe avalia os colaboradores da Nestlé Portugal?
AR:
Os calaboradores da Nestlé Portugal gozam de uma excelente reputação, prova disso é que temos muitos portugueses expatriados noutros mercados e em cargos de direcção. Na própria Suíça – o director de recursos humanos da Nestlé, para a Europa é português, em Espanha, no Reino Unido, na Dinamarca, na Bélgica, no Brasil, em angola, em Moçambique, no Dubai e na Malásia.

DE: Existe a possibilidade do centro de decisão deixar Espanha e passar para Portugal (Lisboa)?
AR:
A Nestlé Portugal está desde 1992 inserida numa região ibérica e, compreensivelmente, o centro de decisão está em Barcelona, a sede da Nestlé Espanha. Não é crível que esta organização se venha a alterar. No entanto, ao longo destes 20 anos de integração temos construído algumas sinergias.
O mais recente exemplo é o Nestlé Business Services (NBS). Um serviço de suporte que engloba o apoio a clientes, o apoio aos recursos humanos, a questão de encomendas dos fornecedores e a gestão de imóveis da Península Ibérica, que foi estabelecido em Portugal para prestar serviço a toda a região ibérica. A escolha de Portugal vem premiar a excelência do trabalho das nossas pessoas, o que prova uma vez mais, que somos tão competitivos como os outros países. Neste centro trabalham agora cerca de 110 pessoas, 40 das quais são novos colaboradores.

FONTE: Diário Económico

 

Informação ANIL


Ano XIII
N.º 01
Jan. 2013


  • Sentimento de profunda gratidão... neste virar de página
    Se um diploma incomoda muita gente, dois incomodam muito mais!...
    Decreto-Lei n.º 2/2013 - Prazos de pagamento
    Bens de grande consumo sobem facturação
    Marcas brancas: Há um limite para o seu crescimento?
    Prospects for Agricultural Markets 2012/2022
    Sector lácteo comunitário em 2016: Cenário pós-quota
    Matérias-primas: Qual a fronteira entre negócio e ética?
    Menor oferta láctea prevista para 2013
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Documentos de Referência

Os mais recentes documentos e a análise da evolução do sector:
DGAgri:  Second 'soft landing' report
CLAL: Dairy Market at a glance
OFPMPA: Prix et Coûts dans L'Agroalimentaire Oct.2012 (excerto relativo ao sector lácteo)
DGAgri: Commodity Price Data Dashboard (09.2012)
CBC: Canada's supply-managed dairy policy - how do we compare?
Deco/ProTeste: Leite UHT e pasteurizado à venda em Portugal são de boa qualidade

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Sabia que..!

O Iogurte e os Idosos: o cuidado com a dieta é uma das principais preocupações, uma vez que a alimentação tem uma relação directa no estado de saúde. O organismo envelhece naturalmente, criando maior vulnerabilidade às carências nutricionais. Os iogurtes e leites fermentados adaptam-se perfeitamente às necessidades dietéticas dos idosos, pois oferecem proteínas, vitaminas e minerais (prevenindo carências desta ordem). São excelentes fornecedores de cálcio, ajudando a preservar a estrutura óssea (o que é especialmente relevante, já que muitos idosos sofrem de carências deste mineral. O iogurte é assim, um produto de fácil deglutição, saboroso e bem tolerado pelo sistema digestivo do idoso.
in Centro de Informação do Iogurte

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No seguimento do debate a nível comunitário e nacional sobre o futuro da PAC, iniciou-se um novo ciclo com a apresentação formal pela Comissão Europeia do conjunto das propostas legislativas para a PAC pós 2013. A PAC renovada deve continuar a ser uma política comunitária forte, abrangente, baseada em regras comuns e dotada de meios suficientes para promover o desenvolvimento sustentável da agricultura e dos territórios rurais em toda a União Europeia.
Pode seguir todo o dossier sobre o futuro da PAC aqui.

Dados de Mercado

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