2012.08.06 (00:00) Espanha
O presidente da Promarca (associação dos fabricantes de produtos de marca no mercado espanhol), Ignacio Larracoechea lamenta que, em muitos casos, os distribuidores e grandes supermercados limitem a variedade de produtos, encareçam os preços dos produtos de marca e alavanquem os seus próprios produtos. Seguindo uma estratégia que penaliza a qualidade e os direitos do consumidor.
Em entrevista, Ignacio Larracoechea, exige legislação que permita que os compradores finais tenham direito a um "preço justo", sem que as cadeias possam ‘inflaccionar’ os preços para que as suas próprias surjam mais atractivas para os compradores, aos quais se limita a variedade de produtos e de qualidade, com o único intuito de obter mais lucros. "Para um produto, estar em cima ou à altura dos olhos na prateleira de um supermercado pode significar que as suas vendas desçam ou subam em 20%."
Assim, "discriminam-se" e inclusivamente eliminam-se dos lineares muitas marcas, apesar das repercussões económicas dessa opção e desta falta de liberdade de compra, o que significa reduzir a qualidade e variedade, enquanto "alguns" beneficiam da ineficácia da legislação.
Apesar da crise actual, as marcas "líderes" estão a "sobreviver" ao produzir bens de primeira necessidade e podem crescer e defender a sua quota de mercado, enquanto as "segundas e terceiras" marcas estão a sofrer o avanço das marcas brancas e chegam, muitas vezes, a ser excluídas dos supermercados. Metade do que é comprado em Espanha - em número de unidades - são marcas das empresas de distribuição, explica Ignacio Larracoechea.
Alguns supermercados colocam as suas próprias marcas nas prateleiras e muitos sectores "caem num monopólio” e os consumidores "só podem comprar numa loja a marca branca e, quando muito, a marca líder do mercado”. Quando apenas há monopólios ou duopólios, há menos concorrência, a qualidade sofre e os preços não são competitivos, disse, recordando que a Comissão de Concorrência Nacional já alertou para esta circunstância em Espanha.
Diante disso, exige uma legislação que permita um "preço justo", que "equilibre as regras do jogo" para que os consumidores possam ter uma maior variedade de produtos, "limitada em algumas cadeias", que "discriminam" e elevam os preços de algumas marcas até 25%, sem que o fabricante possa fazer nada.
De acordo com relatórios da Comissão Europeia, destaca, um dos "grandes perigos" desta discriminação é que a qualidade pode sofrer nos produtos, bem como a variedade e a inovação, sendo Espanha um paradigma da falta de inovação nos seus supermercados, por causa da legislação em vigor. Embora em Espanha, existam leis como a da concorrência e da concorrência desleal para corrigir estas "deslealdades" é difícil de aplicar, porque se "quem abusa da empresa é o seu maior cliente é muito difícil denunciá-lo porque a retaliação pode ser muito pior do que a actividade que a empresa quer denunciar", acrescentou.
"A maioria dos fabricantes prefere pagar um pouco mais e ser discriminado, do que ser expulsa deste mercado, de 80.000 milhões de euros, que é controlado a 60% por quatro distribuidores" (Mercadona, Carrefour, Día e Eroski). "Se somarmos mais dois (Alcampo e El Corte Ingles), 75% do mercado está nas mãos de seis centros de decisão", significa que uma denúncia e respectivos riscos pode ser um fardo muito pesado sobre as vendas de uma dada marca.
Solicita que a nova Lei da Cadeia Alimentar, que está a ser elaborada pelo Ministério da Agricultura, em Madrid, deverá contemplar que as associações de empresas possam apresentar estas denúncias ante as autoridades da concorrência e que o diploma reconheça oficialmente que os distribuidores "são também concorrentes das marcas".
FONTE: Agência Éfe
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