2012.05.18 (00:00) Portugal
O Relatório Anual do Banco de Portugal, agora tornado público, analisa o ano económico de 2011 ao pormenor, recordando os desequilíbrios das contas públicas que levaram o país a pedir assistência externa. O regulador sublinha o facto de o consumo privado ter diminuído de forma muito acentuada no ano passado.
"A queda de 3.9%, em termos reais, é a mais pronunciada desde 1975". As previsões da Primavera da Comissão Europeia, conhecidas na última sexta-feira, apontam para uma quebra do consumo privado na ordem dos 6% em 2012, o valor mais negativo em toda a União Europeia.
A esta quebra no consumo das famílias não é estranho o facto de o rendimento disponível ter diminuído 1% em termos nominais, mas -4.5% em termos reais. Curiosamente, esta evolução contrasta o que se passou 2009, ano em que se registou uma redução do rendimento disponível em termos nominais menos pronunciada do que a redução dos preços, originando um aumento do rendimento disponível em termos reais.
A redução do rendimento disponível das famílias reflectiu, em larga medida, a diminuição das remunerações do trabalho, em resultado do corte médio de 5% no sector público, em vigor desde Janeiro do ano passado. Quanto aos trabalhadores do privado, a evolução das remunerações reais no sector privado, isto é, ajustadas pela inflação (3,7%), foi bastante negativa, registando-se uma queda de 2.6%.
Na perspectiva das empresas, o cenário não foi tão benéfico quanto se possa pensar. A redução das remunerações não beneficiou tanto assim os empregadores, uma vez que a evolução do deflactor do consumo privado (inflação) foi de 3,7% e do deflactor do PIB foi de 0,7%. Na prática, a redução real das remunerações para as empresas foi menor do que a registada para os trabalhadores.
De qualquer forma, no total da economia, os custos unitários do trabalho reduziram-se 0,8% em termos nominais.
FONTE: Dinheiro Vivo
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