2012.02.23 (00:00) Portugal
A ministra da Agricultura, Assunção Cristas, garantiu que estão a ser recolhidos dados para uma eventual “declaração de seca reconhecida pela União Europeia, que possa levar a antecipar algumas ajudas”. A 15 de Fevereiro, a data do último comunicado do Instituto de Meteorologia (IM) sobre a situação de seca que Portugal continental enfrenta, 5% do território estava em seca extrema, 70% em seca severa e 25% está em seca fraca.
Na previsão meteorológica dos próximos dez dias do IM, passível de sofrer alterações, todas as 18 capitais de distrito do continente vão manter-se com tempo seco até 29 de Fevereiro. Ainda assim a ministra acredita que se chover em Março e Abril os efeitos da seca que afecta Portugal podem ser minimizados, nomeadamente no sector da produção animal, um dos mais afectados.
A governante falava hoje numa exploração leiteira da Escola Superior Agrária de Castelo Branco, onde foi confrontada pelos jornalistas com o pedido da Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP). A associação exigiu “um aumento imediato” dos preços do leite para fazer face à subida dos custos de produção resultante dos efeitos da seca.
Sem responder à pretensão, Assunção Cristas admitiu ter esperança que chova nos próximos meses: “em Portugal ainda pode chover muito, em Março e em Abril, águas mil”. Segundo a ministra, o Ministério da Agricultura criou um grupo permanente que está a acompanhar a situação e que inclui as direcções regionais de agricultura, o Instituto de Meteorologia e a Agência Portuguesa do Ambiente.
O grupo “está a identificar aquilo que poderá conduzir a uma declaração de seca reconhecida pela própria União Europeia e que possa levar a antecipar algumas ajudas”, referiu. Assunção Cristas reconheceu que “algumas coisas já não se podem recuperar”, em concreto, “os custos em que os produtores estão a incorrer”, mas, para já, ainda não há nenhum levantamento sobre prejuízos. Um dos sectores mais afectados “é o da produção animal”, em que as explorações “já recorrem a fenos guardados para o Verão” para alimentar os efectivos, referiu.
Depois de visitar a área de produção de leite da Escola Agrária de Castelo Branco, onde ordenhou uma das vacas, a ministra visitou a fábrica da Danone Portugal na cidade, percorrendo o ciclo completo do leite para a produção de 1,2 milhões de iogurtes fabricados diariamente na unidade.
Assunção Cristas realçou que o sector foi avaliado pela Comissão Europeia em 2008 e que como consequência “haverá mais verbas disponíveis” ainda neste primeiro trimestre do ano, num total de “40 milhões de euros de despesa pública para alavancar a modernização de explorações leiteiras”.
A governante destacou a importância da valorização da produção nacional e o director-geral da Danone Portugal, Henri Bruxelles, reforçou o compromisso da empresa de “continuar a apostar na produção de iogurtes feitos com leite fresco cem por cento português”.
Produtores pedem subida dos preços devido à seca
A Associação dos Produtores de Leite de Portugal (APROLEP) exigiu um aumento «imediato» dos preços para fazer face à subida dos custos de produção resultante dos efeitos da seca. A APROLEP sublinha, num comunicado, que as pastagens já estão a faltar devido à seca que afecta três quartos do território nacional, lembrando que a alternativa para alimentar os animais será a importação de palha e o aumento do consumo de rações, que irão agravar os custo de produção do litro de leite.
«Face a esta situação, além de reforçarmos outros apelos que já foram dirigidos ao Governo para que pondere medidas de apoio a nível nacional e comunitário, cremos que a resposta mais justa, rápida e eficaz pode e deve vir da indústria e da distribuição, através do aumento imediato do preço ao produtor para fazer face a estes aumentos do custo de produção», refere a APROLEP.
Os produtores de leite assinalam ainda a «difícil situação económica em que se encontram» devido ao facto dos preços estarem abaixo da média comunitária e acrescentam que «o governo e todos os partidos com representação parlamentar não podem ignorar esta situação».
FONTE: Agência Lusa
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