2012.02.19 (00:00) Opinião
“As reportagens recentes da RTP1 sobre MDD – marca do distribuidor - e suas inegáveis vantagens versus as MDF – marca do fornecedor - não constituem, propriamente, novidade nenhuma nesta crescente elegia da escolha informada e inteligente do consumidor”, refere a directora-geral da CentroMarca, Beatriz Imperatori, em artigo de opinião publicado no site da revista Distribuição Hoje.
“Afinal de contas, todos enquanto consumidores andamos em processos de ajustamento violento. Ninguém pode levar a mal que se compre pelo preço. Interessante é ouvir “verdades estafadas”, mas que continuem a ser aceites inquestionavelmente como lógicas e, por conseguinte, verdadeiras. O jornalismo parece seguir a mesma tendência das MDD: mais “share of voice” qualidade qb. para poder estar no ar...
Seria interessante que se tivesse informado o consumidor - com a mesma veemência que a lista dos principais anunciantes é hoje dominada pelo sector “comércio” e que, por exemplo, em 2009 a Modelo Continente ocupava já o 2.º lugar na lista dos 350 maiores anunciantes. Podemos perguntar como é possível ser tão barato e ter tantos custos de marketing e publicidade? Quem pagará? O Pingo Doce terá a resposta...
É importante relembrar também que quem marca o PVP de todas as marcas à venda no supermercado é o dono deste: o distribuidor. Seria importante mais uma vez perguntar: porque é que todas as MDD são sempre mais baratas que as MDF? Porque é que continua a compensar ter os preços das MDF sempre mais caras... Porque mesmo assim a maioria dos consumidores compra MDF... Até onde será possível manter a diferença de preços tão grande, é o que vamos descobrir. Mas neste processo a indústria que não consegue resistir morre, a produção que é substituída por importações definha...
E a promessa do “el dorado” das MDD como a grande alternativa da produção nacional ameaça desvanecer-se. Quem produz apenas para MDD sabe que os seus contratos são ainda mais frágeis, que as ameaças de leilões virtuais são reais, e que sem marca a produção nacional não é mais que subcontratação temporária, até ser dispensada, com ou sem aviso.
Este cenário é hoje reconhecido a nível europeu, a eurodeputada Maria do Céu Patrão Neves considerou recentemente que “os actuais graves desequilíbrios na cadeia de distribuição alimentar devem ser corrigido com a maior urgência, nomeadamente no que se refere a: abusos de poder de compra dominante, cláusulas contratuais abusivas, atrasos nos pagamentos, modificações contratuais unilaterais, restrição do acesso ao mercado.”
Mesmo insuspeitos professores como o Sr. Prof. Augusto Mateus já em 2010 dizia “a economia tem de resistir à armadilha do low cost”, quando refere que “(...)os projectos low cost podem ser verdadeiros casos de suicídio ao nível da redução de emprego e de poder de compra nas sociedades”.
Quem decidirá que sociedade vamos ter? O consumidor informado, o cidadão responsável, o decisor político? Qual a intervenção que cada um de nós pode ter para mudar esta visão e este caminho ainda evitável”, conclui Beatriz Imperatori.
FONTE: Distribuição Hoje
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