Pequenos fornecedores desistem dos hipermercados

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alim011.jpg2011.06.28 (00:00) Portugal
Os pequenos fornecedores estão a desistir de vender os seus produtos nas cadeias de grande distribuição. Um dos casos públicos mais recentes é o da Lacticínios das Marinhas, que deixou de fornecer o grupo Jerónimo Martins.

O JN tentou obter uma reacção por parte dos intervenientes, mas nenhum se mostrou disponível para esclarecer o fim desta relação comercial. A Jerónimo Martins limitou-se a confirmar que, por não ter "chegado a um entendimento com o fornecedor de Queijo Marinhas, o mesmo tomou a iniciativa de deixar de entregar o produto", acrescentando que não se "pronuncia na praça pública sobre os termos das relações comerciais" com os seus parceiros.

Segundo o JN apurou, a quebra da relação comercial ficou a dever-se a uma questão de descontos que seriam praticados no preço de venda e suportados pelo fornecedor.

Mas este caso não é único. Até ao final do mês de Maio deste ano, deram entrada na Autoridade da Concorrência (AdC) sete denúncias relativas ao relacionamento entre grandes distribuidores e fornecedores. "A maior parte destas denúncias é relativa a vendas de bens a preços abaixo do preço de custo ou vendas com prejuízo, que se integram nas denominadas práticas individuais restritivas do comércio", adiantou fonte oficial da Autoridade da Concorrência.

A Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED) disse desconhecer a existência dessas denúncias, deixando, por isso, "ao regulador o trabalho de avaliar a consistência das mesmas".

Por outro lado, frisou Ana Trigo Morais, directora-geral da APED, "as grandes distribuidoras têm feito um esforço para encontrar relações comerciais balanceadas e de maior durabilidade. Têm feito um esforço continuado com um conjunto de produtores nacionais para promover a venda de produtos nacionais diminuindo as importações”.

A Associação Nacional dos Industriais de Lacticínios (ANIL) não tem a mesma visão, contrapondo “que a questão é cada vez mais o afunilamento do mercado; quem vende quer vender mais barato e tal afecta a rentabilidade de quem produz”.

Pedro Pimentel, da ANIL, adiantou que, na distribuição, a “maior diversidade e condições de fornecimento são incompatíveis a nível de preços para os produtores”.

A questão, frisou, “é vender em condições deploráveis ou não vender, isto porque a baixa de preços com as promoções nas lojas acaba por incidir no produtor e não cobre o aumento dos custos de produção”.

O relacionamento entre a grande distribuição e os seu fornecedores foi alvo de um relatório no final de 2010 da AdC, onde a Autoridade emitiu um conjunto de recomendações “orientadas para a promoção da concorrência, o equilíbrio e a transparência entre agentes económicos e uma intervenção mais eficaz das entidades com responsabilidades”.

Na elaboração desse relatório, a entidade reguladora identificou quatro áreas onde o desequilíbrio negocial entre distribuidores e fornecedores “é, em geral, desfavorável aos fornecedores”.

São elas: a imposição unilateral de condições, com, por exemplo, negociação de contratos-tipo; descontos e outras contrapartidas; penalizações; e prazos de pagamentos.

FONTE: Jornal de Notícias

 

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