Continente impõe descontos sem avisar os fornecedores

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2011.05.30 (00:00) ANIL
No dia 23 de Maio o Continente lançou uma nova promoção que concede aos clientes 25% de desconto em cartão Continente na compra de qualquer queijo à venda nas suas lojas. Seria apenas mais uma iniciativa para atrair consumidores se não tivesse um pormenor curioso: os produtores de queijo só foram avisados no dia seguinte, a 24 de Maio, através de uma mensagem de correio eletrónico onde a empresa do grupo Sonae pedia que a acção fosse “comparticipada pelo fornecedor (…) no valor de 25% sobre o sell out das vendas dos artigos”.

O aviso a posteriori gerou mal-estar entre os produtores. Primeiro, porque se veem na contingência de perder 25% na receita de alguns produtos, esmagando a sua margem de lucro. Depois porque no início do ano, já tinham sido ‘convidados’ a comparticipar acções a realizar no âmbito do Cartão Continente mediante o pagamento de 1,5% do valor total das suas vendas.

“Se não existir uma situação de abuso de posição dominante neste cenário, então não entendemos em que circunstâncias se poderá afirmar que existe essa situação”, reage Pedro Pimentel, presidente da Associação dos Industriais de Laticínios (ANIL). Sobretudo porque além do “agravamento de custos que a acção gera” aos fornecedores, a campanha foi comunicada “sem autorização ou negociação prévia”.

Fonte oficial do Continente garante apenas que a informação sobre as datas de contaccto “não é de todo verdadeira”. Mas não especificou as datas certas. “As nossas acções são programadas de forma transparente, com antecedência, e este caso não foi excepção”, resumiu, por correio eletrónico, sem responder às seis questões colocadas pelo Expresso.

O presidente da ANIL assegura, no entanto, que esta prática é recorrente nas principais cadeias de distribuição, traduzindo um “sentimento de impunidade dos operadores”. “Presumem sempre que, face à ameaça de ‘saída de linha’, as empresas não têm outra alternativa que não a de ceder às exigências”, diz Pedro Pimentel. E cedem porque haverá já um histórico de retaliação: face à recusa em aceitar, alguns associados da ANIL viram “de imediato bloqueadas as encomendas de todos ou de parte dos seus produtos”, acusa.

O cenário é também confirmado pelo presidente da associação Centromarca, João Paulo Girbal, que critica o “excesso de poder” da Sonae e Jerónimo Martins. “Nenhum fornecedor arrisca perder a presença nessas lojas. Se se queixam em situações de abuso correm o risco de fechar as portas”, diz.

FONTE: Expresso

 

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